
Um dia cansado da vida , tentei fazer muxoxu que nem boca de bexiga, sentei numa pedra meio de banda e esperei o dia passar, a chuva caiu, o sol voltou e nada a me alegrar.
O pé já calejado de tanta andança, o coração marejado de tanta falta de esperança, a vida ia e vinha como numa balança.
Sete filhos pra criar, sem tempo nem pra me arrepender já tinha o oitavo pra nascer.
A terra dura avermelhada de tudo se plantava mas nada se dava, nada nascia, nem boi ficava vivo, tudo que era bicho se ia, só não ia o tal do meu encosto esperando eu morrer pra assumir o meu posto, da minha mulher ele se enchia os ói, arregalava na direção da saia dela, fingia ser cabra macho e eu fingia a desmazela.
No rachar do frio noturno só se ouvia o rinchar do burro, as estrelas no meu céu de tantas que eram se confundiam entre si, no dia seguinte o sol já esquentando a taipa foi que me dei conta que dessa vida de muita terra e pouca água eu tirei a minha sorte, menos vale um sonho se a luta não lhe arrepia o peito forte!
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